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O guatemalteco Eduardo Halfon é uma das vozes mais sólidas da atual narrativa latino-americana, autor de uma dezena de obras de prestígio internacional, e cujo trabalho tem sido constantemente comparado ao do chileno Roberto Bolaño. A alternância entre vida e literatura é uma das marcas da escritura de Eduardo Halfon. "Seus contos" – como assinala Antônio Xerxenesky no posfácio à edição da Rocco – "não fingem que são os primeiros contos escritos na história da humanidade. Pelo contrário, estão cientes de que estão inseridos numa tradição, de que uma história dialoga com outra história." No entanto, para não correr o risco de afastar o leitor sendo excessivamente cerebral, vale-se, também, da maneira como o homem se relaciona com o mundo em seus instintos mais básicos, ternos ou terríveis.
"O boxeador polaco", relato que dá título à coletânea, apresenta a história de um sobrevivente dos campos de extermínio de Auschwitz. Um homem idoso que, brincando com o neto (que é o narrador do conto), lhe diz que os cinco dígitos verdes gravados no antebraço esquerdo eram o número de seu telefone. Na verdade, o avô revela, ele foi salvo devido à astúcia de um pugilista, também prisioneiro, mas que se mantinha vivo porque os soldados alemães gostavam de vê-lo boxear. Mas fica a dúvida: esta seria mesmo uma história verdadeira? Para Eduardo Halfon, pouco importa, pois "a literatura não é mais que um bom truque, como o de um mago ou de um bruxo, que faz a realidade parecer inteira, que cria a ilusão de que a realidade é única".
Finalmente publicado no Brasil, pela prestigiada coleção de literatura hispano-americana Otra Língua, organizada por Joca Terron, Halfon reúne, em O boxeador polaco, seis histórias que dialogam com a tradição literária e com a prática da ficção, mas que, ao mesmo tempo, mantém os pés fincados na realidade contemporânea e na história familiar e íntima do próprio escritor.

R$ 6,40
O Construtor De Pontes

Mais de uma década após o sucesso de A menina que roubava livros, Markus Zusak traça a saga de uma família em busca de redençãoSe em A menina que roubava livros é a morte quem conta a história, em O construtor de pontes, novo romance de Markus Zusak, presente e passado se fundem na voz de outro narrador igualmente potente: Matthew, o filho mais velho da família Dunbar. Sentado na cozinha de casa diante de uma máquina de escrever antiga, ele precisa nos contar sobre um dos seus quatro irmãos, Clay. Tudo aconteceu com ele. Todos mudaram por causa dele. Anos antes, os cinco garotos haviam sido abandonados pelo pai sem qualquer explicação. No entanto, em uma tarde ensolarada e abafada o patriarca retorna com um pedido inusitado: precisa de ajuda para construir uma ponte. Escorraçado pelos jovens e por Aquiles, a mula de estimação da família, o homem vai embora novamente, mas deixa seu endereço num pedaço de papel. Acontece que havia um traidor entre eles: Clay. É Clay, então, quem parte para a cidade do pai, e os dois, juntos, se dedicam ao projeto mais ambicioso e grandioso de suas vidas: uma ponte feita de pedras e também de lembranças — lembranças da mãe, do pai, dos irmãos e dele mesmo, do garoto que foi um dia, antes de tudo mudar. O tempo, assim como o rio sob a ponte, tem uma força avassaladora, capaz de destruir, mas também de construir novos caminhos. O construtor de pontes narra a jornada de uma família marcada pela culpa e pela morte. Com uma linguagem poética e inventiva, Markus Zusak nos presenteia mais uma vez com uma história inesquecível, uma trama arrebatadora sobre o amor e o perdão em tempos de caos.

R$ 37,90